"Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade".

C. H. Spurgeon

Uma breve biografia de Charles H. Spurgeon por Marcos Sampaio

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Há sempre aquelas pessoas as quais admiramos por sua vida e, sobretudo, por sua profunda intimidade com Deus. Spurgeon nasceu em Kelvedon, Essex, Inglaterra, em 19 de Junho de 1834 e era o mais velho de dezessete filhos, sendo que nove morreram ainda na infância.

Casou-se com Susanah Thompson com quem teve dois filhos gêmeos, Thomas e Charles que se tornaram também excelentes pastores.


Devido a dificuldades financeiras, com a idade de dezoito meses, ele foi enviado para viver com seu avô, que, como o pai de Charles, era um pregador calvinista obstinado. Ainda muito jovem, ele começou a ler os livros teológicos de seu pai e avô e a ouvir com atenção conversas teológicas. Em uma ocasião, o pastor Richard Knill profetizou sobre Charles: “Essa criança vai um dia pregar o evangelho, e ele vai pregar a grandes multidões”. Com dez anos de idade, Charles já estava lendo os puritanos com grande prazer e entusiasmo.

Charles H. Spurgeon começou a pregar logo depois de sua conversão a Jesus Cristo na idade de dezesseis anos. Ele logo se tornou o mais conhecido pregador da Bíblia no mundo em sua época, e talvez o melhor pregador da história da Igreja fora das Escrituras, junto com João Crisóstomo (347-407). Spurgeon pregou até dez vezes por semana, e foi ouvido por vinte milhões de pessoas a partir de seu púlpito, ao longo de sua vida.

Quatro anos depois de sua conversão, na idade de vinte anos, ele foi nomeado o pastor da famosa New Park Street Chapel, que antes era liderada pelo famoso teólogo Batista reformado John Gill. Sua igreja se tornou a maior do mundo no momento de sua morte, a Metropolitan Tabernacle.

O pastor Spurgeon foi um estudante ao longo da sua vida. Ele tinha uma grande biblioteca construída em sua casa para que ele pudesse estudar continuamente, e ainda estar perto de sua esposa Susannah muito adoecida. Ele tinha uma grande mesa redonda, com uma dobradiça que lhe permitia sentar no meio dela com os seus livros queridos ao seu redor.

Segundo uma de suas biografias, Spurgeon também estava comprometido com a justiça social, indo tão longe a ponto de pregar contra a escravidão, que o tornou muito impopular nos Estados Unidos, onde seus sermões impressos foram proibidos e queimados. Spurgeon era também um homem muito piedoso, que abrindo e dirigindo um orfanato para crianças carentes. Muitos chamaram o orfanato do maior sermão que ele um dia pregou.

Entretanto, ao longo de seu ministério, C. H. Spurgeon viveu sob o ataque constante, tanto por sua teologia conservadora quanto por seu ministério bem sucedido levando ao pastor a ser expulso de sua própria denominação batista por não desistir de ensinar coisas como tormento eterno num inferno literal, a veracidade da Bíblia e a perfeição e inspiração divina das Escrituras. Em seus dias, foi atacado por legalistas hiper-calvinistas e liberais universalistas; o primeiro porque ele livremente pregou o evangelho a todas as pessoas, e o segundo porque Spurgeon não acreditou que todos seriam salvos.

Charles Spurgeon foi desprezado pelos hiper-calvinistas de seu tempo por causa da sua paixão por pessoas que estavam perdidas sem Cristo como também por sua oferta contínua em prol do evangelho da graça para as massas, o que levou ao batismo 14.692 convertidos durante o seu ministério. Chegou a ter sua conversão contestada em pleno jornal! Apesar da oposição, Spurgeon nunca se esquivou de chamar a todos os homens ao arrependimento. Ele usou meios não convencionais, tais como a reunião em um teatro público (e não uma igreja) e a pregação em massa (não em um púlpito elevado), num esforço de ser mais culturalmente relevante em seu estilo de ministério. Curiosamente, porém, ele proibiu o uso de coros, órgãos e outros instrumentos musicais nos serviços de sua igreja.

No entanto, após a sua morte, sessenta mil pessoas passaram diante do seu caixão aberto durante um único dia, com uma multidão semelhante no dia seguinte. Quatro memoriais foram realizados em um dia para os membros da igreja, ministros e estudantes, membros de outras denominações, e ao público em geral, respectivamente. A estrada para o cemitério estava cheia de centenas de pessoas cujas vidas foram tocadas pelo poder do evangelho da graça através desse servo de Cristo.

Charles Haddon Spurgeon, uma vida que fez a diferença em sua época. Que a sua história continue marcando e inspirando poderosamente a nossa vida para a glória de Deus somente!.

Fonte:Ecclesia Semper Reformada Est
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As 95 Teses de Lutero Parte II

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51. Deve ensinar-se aos cristãos que o papa – como é de seu dever – desejaria dar os seus próprios bens aos pobres homens de quem certos vendedores de perdões extorquem o dinheiro; que para este fim ele venderia – se fosse possível – a basílica de São Pedro.
52. Confiança na salvação por causa de cartas de perdões é vã, mesmo que o comissário, e até mesmo o próprio papa, empenhasse sua alma como garantia.
53. São inimigos de Cristo e do povo os que em razão da pregação das indulgências exigiam que a palavra de Deus seja silenciada em outras igrejas.
54. Comete-se uma injustiça para com a palavra de Deus se no mesmo sermão se concede tempo igual, ou mais longo, às indulgências do que a palavra de Deus.
55. A intenção do papa deve ser esta: se a concessão dos perdões – que é matéria de pouca importância – é celebrada pelo toque de um sino, como uma procissão e com uma cerimônia, então o Evangelho – que é a coisa mais importante – deve ser pregado com o acompanhamento de cem sinos, de cem procissões e de cem cerimônias.
56. Os tesouros da Igreja – de onde o papa tira as indulgências – não estão suficientemente esclarecidos nem conhecidos entre o povo de Cristo.
57. É pelo menos claro que não são tesouros temporais, porque não estão amplamente espalhados mas somente colecionados pelos numerosos vendedores de indulgências.
58. Nem são os méritos de Cristo ou dos santos, porque esses, sem o auxílio do papa, operam a graça do homem interior e a crucificação, morte e descida ao inferno do homem exterior.
59. São Lourenço disse que os pobres são os tesouros da Igreja, mas falando assim estava usando a linguagem de seu tempo.
60. Sem violências dizemos que as chaves da Igreja, dadas por mérito de Cristo, são esses tesouros.
61. Porque é claro que para a remissão das penas e a absolvição de casos (especiais) é suficiente o poder do papa.
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o sacrossento Evangelho da glória e da graça de Deus.
63. Mas este é merecidamente o mais odiado, visto que torna o primeiro último.
64. Por outro lado, os tesouros das indulgências são merecidamente muito populares, visto que fazem do último primeiro
65. Assim os tesouros do Evangelho são redes com que desde a Antigüidade se pescam homens de bens.
66. Os tesouros das indulgências são redes com que agora se pescam os bens dos homens.
67. As indulgências, conforme declarações dos que as pregam, são as maiores graças; mas "maiores" se deve entender como rendas que produzem.
68. Com efeito, são de pequeno valor quando comparadas com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69. Bispos e párocos são obrigados a admitir os comissários dos perdões apostólicos com toda a reverência.
70. Mas estão mais obrigados a aplicar seus olhos e ouvidos à tarefa de tornar seguro que não pregam as invenções de sua própria imaginação em vez de comissão do papa.
71. Se qualquer um falar contra a verdade dos perdões apostólicos que sejam anátema e amaldiçoado.
72. Mas bem-aventurado é aquele que luta contra a dissoluta e desordenada pregação dos vencedores de perdões.
73. Assim como o papa justamente investe contra aqueles que de qualquer modo agem em detrimento do negócio dos perdões.
74. Tanto mais é sua intenção investir contra aqueles que, sob o pretexto dos perdões, agem em detrimento do santo amor e verdade.
75. Afirmar que os perdões papais têm tanto poder que podem absolver mesmo um homem que – para aduzir uma coisa impossível – tivesse violado a mão de Deus, é delirar como um lunático.
76. Dizemos ao contrário, que os perdões papais não podem tirar o menor dos pecados veniais no que tange à culpa.
77. Dizer que nem mesmo São Pedro e o papa, não podia dar graças maiores, é uma blasfêmia contra São Pedro e o papa.
78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc. como em 1 Co 12.
79. É blasfêmia dizer que a cruz adornada com as armas papais tem os mesmos efeitos que a cruz de Cristo.
80. Bispos, párocos e teólogos que permitem que tal doutrina seja pregada ao povo deverão prestar contas.
81. Essa licenciosa pregação dos perdões torna difícil, mesmo a pessoas estudadas, defender a honra do papa contra a calúnia, ou pelo menos contra as perguntas capciosas dos leigos.
82. Esses perguntam: Por que o papa não esvazia o purgatório por um santíssimo ato de amor e das grandes necessidades das almas; isto não seria a mais justa das causas visto que ele resgata um número infinito de almas por causa do sórdido dinheiro dado para a edificação de uma basílica que é uma causa bem trivial?
83. Por que continuam os réquiens e os aniversários dos defuntos e ele não restitui os benefícios feitos em seu favor, ou deixa que sejam restituídos, visto que é coisa errada orar pelos redimidos?
84. Que misericórdia de Deus e do papa é essa de conceder a uma pessoa ímpia e hostil a certeza, por pagamento de dinheiro, de uma alma pia em amizade com Deus, enquanto não resgata por amor espontâneo uma alma que é pia e amada, estando ela em necessidade?
85. Os cânones penitenciais foram revogados de há muito e estão mortos de fato e por desuso. Por que então ainda se concedem dispensas deles por meio de indulgências em troca de dinheiro, como se ainda estivesse em plena força?
86. As riquezas do papa hoje em dia excedem muito às dos mais ricos Crassos; não pode ele então construir uma basílica de São Pedro com seu próprio dinheiro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos fiéis?
87. O que o papa perdoa ou dispensa àqueles que pela perfeita contradição têm direito à remissão e dispensa plenária?
88. Não receberia a Igreja um bem muito maior se o papa fizesse cem vezes por dia o que agora faz uma única vez, isto é, distribuir essas remissões e dispensas a cada um dos fiéis?
89. Se o papa busca pelos seus perdões antes a salvação das almas do que dinheiro, por que suspende ele cartas e perdões anteriormente concedidos, visto que são igualmente eficazes?
90. Abafar esses estudos argumentos dos fiéis apelando simplesmente para a autoridade papal em vez de esclarecê-los mediante uma resposta racional, é expor a Igreja e o papa ao ridículo dos inimigos e tornar os cristãos infelizes.
91. Se os perdões fossem pregados segundo o espírito e a intenção do papa seria fácil resolver todas essas questões; antes, nem surgiriam.
92. Portanto, que se retirem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "paz, paz", e não há paz.
93. E adeus a todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "a cruz, a cruz", e não há cruz.
94. Os cristãos devem ser exortados a esforçar-se em seguir a Cristo, sua cabeça, através de sofrimentos, mortes e infernos.
95. E que eles confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que por meio da confiança da paz.
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As 95 Teses de Lutero Parte I

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[Essas teses foram afixadas na porta da igreja do Castelo de Wittenberg a 1o de outubro de 1517. Era esse o modo usual de se anunciar uma disputa, instituição regular da vida universitária e não havia nada de dramático no ato. Lutero confiava receber o apoio do papa pelo fato de revelar os males do tráfico das indulgências.]
Uma disputa do Mestre Martinho Lutero, teólogo, para elucidação da virtude das indulgências.
Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes teses serão defendidas em Wittenberg sob a presidência do Rev. Frei Martinho Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar presentes e disputar com ele verbalmente, o façam por escrito. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
1. Nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo em dizendo "Arrependei-vos, etc.), afirmava que toda a vida dos fiéis deve ser uma ato de arrependimento.
2. Essa declaração não pode ser entendida como o sacramento da penitência (i. e., confissão e absolvição) que é administrado pelo sacerdócio.
3. Contudo, não pretende falar unicamente de arrependimento interior; pelo contrário, o arrependimento interior é vão se não produz externamente diferentes espécies de mortificação da carne.
4. Assim, permanece a penitência enquanto permanece o ódio de si (i. e., verdadeira penitência interior), a saber, o caminho reto para entrar no reino dos céus.
5. O papa não tem o desejo nem o poder de perdoar quaisquer penas, exceto aquelas que ele impôs por sua própria vontade ou segundo a vontade dos cânones.
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou confirmando que ela foi perdoada por Deus; ou, certamente, perdoado os casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações a culpa permaneceria.
7. Deus não perdoa a culpa de ninguém sem sujeitá-lo à humilhação sob todos os aspectos perante o sacerdote, vigário de Deus.
8. Os cânones da penitência são impostas unicamente sobre os vivos e nada deveria ser imposta aos mortos segundo eles.
9. Por isto o Espírito Santo nos beneficia através do papa, mas sempre faz exceção de seus decretos no caso da iminência da morte e da necessidade.
10. Os sacerdotes que no caso de morte reservam penas canônicas para o purgatório agem ignorante e incorretamente.
11. Esta cizânia que se refere à mudança de penas canônicas em penas no purgatório certamente foi semeada enquanto os bispos dormiam.
12. As penitências canônicas eram impostas antigamente não depois da absolvição, mas antes dela, como prova de verdadeira contrição.
13. Os moribundos pagam todas as suas dívidas por meio de sua morte e já estão mortos para as leis dos cânones, estando livres de sua jurisdição.
14. Qualquer deficiência em saúde espiritual ou e amor por parte de um homem moribundo deve trazer consigo temor, e quanto maior for a deficiência maior deverá ser o temor.
15. Esse temor e esse terror bastam por si mesmos para produzir as penas do purgatório, sem qualquer outra coisa, pois estão pouco distante do terror do desespero.
16. Com efeito, a diferença entre Inferno, Purgatório e Céu parece ser a mesma que há entre desespero, quase-desespero e confiança.
17. Parece certo que para as almas do purgatório o amor cresce na proporção em que diminui o terror.
18. Não parece estar provado, quer por argumentos quer pelas Escrituras, que essas almas estão impedidas de ganhar méritos ou de aumentar o amor.
19. Nem parece estar provado que elas estão seguras e confiantes de sua bem-aventurança, ou, pelo menos, que todas o estejam, embora possamos estar seguros disso.
20. O papa pela remissão plenária de todas as penas não quer dizer a remissão de todas as penas em sentido absoluto, mas somente das que foram impostas por ele mesmo.
21. Por isto estão em erro os pregadores de indulgências que dizem ficar um homem livre de todas as penas mediante as indulgências do papa.
22. Pois para as almas do purgatório ele não perdoa penas a que estavam obrigadas a pagar nesta vida, segundo os cânones.
23. Se é possível conceder remissão completa das penas a alguém, é certo que somente pode ser concedida ao mais perfeito; isto quer dizer, a muito poucos.
24. Daí segue-se que a maior parte do povo está sendo enganada por essas promessas indiscriminadas e liberais de libertação das penas.
25. O mesmo poder sobre o purgatório que o papa possui em geral, é possuído pelo bispo e pároco de cada dioceses ou paróquia.
26. O papa faz bem em conceder remissão às almas não pelo poder das chaves (poder que ele não possui), mas através da intercessão.
27. Os que afirmam que uma alma voa diretamente para fora (do purgatório) quando uma moeda soa na caixa das coletas, estão pregando uma invenção humana (hominem praedicant).
28. É certo que quando uma moeda soa, cresce a ganância e a avareza; mas a intercessão (suffragium) da Igreja está unicamente na vontade de Deus.
29. Quem pode saber se todas as almas do purgatório desejam ser resgatadas? (Que se pense na história contada a respeito de São Severino e São Pascoal).
30. Ninguém está seguro na verdade de sua contrição; muito menos de que se seguirá a remissão plenária.
31. Um homem que verdadeiramente compra suas indulgências é tão raro como um verdadeiro penitente, isto é, muito raro.
32. Aqueles que se julgam seguros da salvação em razão de suas cartas de perdão serão condenados para sempre juntamente com seus mestres.
33. Devemos guardar-nos particularmente daqueles que afirmam que esses perdões do papa são o dom inestimável de Deus pelo qual o homem é reconciliado com Deus.
34. Porque essas concessões de perdão só se aplicam às penitências da satisfação sacramental que foram estabelecidas pelos homens.
35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou indulgência, estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.
36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plenária tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de perdão.
37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem cartas de perdão.
38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois – como disse – é uma declaração da remissão divina.
39. É muito difícil, mesmo para os teólogos mais sábios, dar ênfase na pregação pública simultaneamente ao benefício representado pelos indulgências e à necessidade da verdadeira contrição.
40. Verdadeira contrição exige penitência e a aceita com amor; mas o benefício das indulgências relaxa a penitência e produz ódio a ela. Tal é pelo menos sua tendência.
41. Os perdões apostólicos devem ser pregados com cuidado para que o povo não suponha que eles são mais importantes que outros atos de amor.
42. Deve ensinar-se aos cristãos que não é intenção do papa que se considera a compra dos perdões em pé de igualdade com as obras de misericórdia.
43. Deve ensinar-se aos cristãos que dar aos pobres ou emprestar aos necessitados é melhor obra que comprar perdões.
44. Por causa das obras do amor o amor é aumentado e o homem progride no bem; enquanto que pelos perdões não há progresso na bondade mas simplesmente maior liberdade de penas.
45. Deve ensinar-se aos cristãos que um homem que vê um irmão em necessidade e passa a seu lado para dar o seu dinheiro na compra dos perdões, merece não a indulgência do papa, mas a indignação de Deus.
46. Deve ensinar-se aos cristãos que – a não ser que haja grande abundância de bens – são obrigados a guardar o que é necessário para seus próprios lares e de modo algum gastar seus bens na compra de perdões.
47. Deve ensinar-se aos cristãos que a compra de perdões é matéria de livre escolha e não de mandamento.
48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais desejo (como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do que de dinheiro contado.
49. Deve ensinar-se aos cristãos que os perdões do papa são úteis se não se põe confiança neles, mas que são enormemente prejudiciais quando por causa deles se perde o temor de Deus.
50. Deve ensinar-se aos cristãos que, se o papa conhecesse as exações praticadas pelos pregadores de indulgências, ele preferiria que a basílica de São Pedro fosse reduzida a cinzas a construí-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
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Uma Confissão de Fé que nos Seria Útil Nesses Dias

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   ELABORAÇÃO CONFESSIONAL 
 (Como eu fiquei impressionado com esta tremenda confissão de fé. Ela deixa bem clara a posição de fé de uma igreja reformada que professa a bíblia como a Genesis da fé , desvinculando-se totalmente do sincretismo e paganismo que se instaurou na igreja romana. Precisamos de tal profissão de fé nesses dias, que delimitem as barreiras do evangelho genuíno, entre esse euvangelho mistificado, antropocêntrico e diabólico que está sendo utilizado por boa parte das denominações de destaque no Brasil)
Veja só que lindo...

O  parlamento  da  Inglaterra,  sentindo  que  o  país,  política  e  religiosamente
separado de Roma, precisava de uma  religião estatal  sistematizada, que  servisse de
parâmetro  oficial  de  fé  e  comportamento  ético  aos  seus  cidadãos,  convocou  uma
Assembléia  (  de  julho  de  1643  a  fevereiro  de1649  ),  que  se  reuniu  na Abadia  de
Westminster,  composta  de  cento  e  vinte  clérigos,  os  seus melhores  teólogos, mais
dez membros da Casa dos Lordes, vinte da Casa dos Comuns e oito  representantes
puritanos ou puritarizados da Escócia, sem direito a voto. Estes exerceram influência
decisiva
1.  Foram  eles  que  determinaram  o  conteúdo  reformado  e  calvinista  do
documento  contra  o  arminianismo,  fortemente  arraigado,  especialmente  nos
seguimentos populares. O antropocentrismo arminiano favorece a crença dos social e
intelectualmente desfavorecidos, pois coloca a salvação no âmbito das possibilidades
humanas mediante esforço místico, privações econômicas  e  renúncias dos prazeres
sensoriais, sendo-lhes a fé, não um dom da graça, mas uma virtude natural pela qual
se conquista a benemerência divina da redenção.

  A  presbiterianização  do  texto  confessional  impediu  que  se  centralizasse  o
múnus espiritual num clérigo ou clero proeminente, como acontecia no  romanismo
pontifício, mas que  se  transferisse a autoridade em matéria de  fé e de moral, como
entendia Calvino, para as Escrituras Sagradas, única regra de  fé e de conduta, base
sobre  a  qual  a  Igreja  se  apoia  e  se  estrutura.  Ouve-se  a  Palavra  de  Deus  pelas
Escrituras.  Escuta-se  o  pensamento  da  Igreja  pelos  concílios  democraticamente
instituídos.  Sendo  a Bíblia  o  cerne  e  o  centro da  fé  revelada,  o  texto  confessional
confere-lhe  acentuada  proeminência  e  inconfundível  destaque  não  somente  no
primeiro  capítulo,  que  dela  trata  especificamente,  mas  em  todos  os  tópicos  de
natureza  e  fundamentos  doutrinários.  A  bibliocentricidade  da  Confissão  de  Fé  de
Westminster é fato nitidamente constatável. Tendo e aceitando a Confissão de Fé de
Westminster como exposição fiel das Escrituras Sagradas à luz do credo reformado,
a  Igreja  Presbiteriana  coloca-a  na  condição  de  instrumento  parametral  de  suas
postulações  teológicas  e  regenciais comunitárias  e  baliza mestra de  seus  cursos de
teologia.
Fonte: Confição de Fé de Westminster

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Orare e Labutare

"Orare e labutare foram palavras empregadas por Calvino para resumir a sua concepção hermenêutica. Com estes termos ele expressou a necessidade de súplica pela ação iluminadora do Espírito Santo e do estudo diligente do texto e do contexto histórico, como requisitos indispensáveis à interpretação das Escrituras."

Paulo R. B. Anglada

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